Normas e dicas técnicas

NR-15 calor: o que a norma exige da sua operação

NR-15 calor: o que a norma exige da sua operação

Um galpão de expedição com telha metálica marca 34 °C às duas da tarde em janeiro. A equipe trabalha movimentando carga, com esforço físico contínuo, e o RH começa a receber pedidos de adicional de insalubridade. O gestor de operações precisa responder duas perguntas que não são a mesma: o ambiente está quente demais, e o ambiente está legalmente enquadrado como insalubre.

A segunda pergunta não se responde com termômetro de parede. As regras da NR-15 para calor têm método próprio, e ele mudou em 2019.

A resposta direta

A exposição ocupacional ao calor é tratada no Anexo 3 da NR-15, que estabelece limites de tolerância medidos pelo IBUTG, o Índice de Bulbo Úmido Termômetro de Globo. A avaliação compara dois valores: o IBUTG médio a que o trabalhador está exposto e o limite máximo permitido para a taxa metabólica da atividade que ele executa. Quando o IBUTG medido ultrapassa esse limite sem medidas que neutralizem a exposição, a atividade pode ser caracterizada como insalubre. A medição exige profissional habilitado e equipamento específico, e o enquadramento de cada operação depende da atividade, do ambiente e do laudo técnico.

O que o IBUTG mede que o termômetro não mede

A temperatura do ar, sozinha, não descreve a sobrecarga térmica sobre uma pessoa. Um galpão a 32 °C com ar seco e boa ventilação é uma condição diferente de um galpão a 32 °C com umidade alta, ar parado e telhado irradiando calor diretamente sobre a linha.

O IBUTG existe justamente para capturar essa diferença. Ele combina três medições:

ParâmetroO que representa
Temperatura de bulbo úmido naturalUmidade do ar e capacidade de evaporação do suor
Temperatura de globoCalor radiante de fornos, motores, maquinário e sol
Temperatura de bulbo secoTemperatura ambiente comum

Para ambiente interno, sem carga solar, o índice é calculado com 0,7 da temperatura de bulbo úmido natural somada a 0,3 da temperatura de globo. Em ambiente externo com carga solar, entram os três parâmetros, com pesos diferentes.

O que isso significa na prática: dois galpões com o mesmo número no termômetro podem ter IBUTG bem distintos. O que pesa mais no índice é a umidade, porque é ela que determina se o corpo consegue ou não se resfriar pela evaporação do suor.

O que mudou na NR-15 sobre calor em 2019

Este é o ponto que mais gera informação desatualizada circulando, inclusive em material de fornecedor.

O modelo antigo do Anexo 3 definia regimes de trabalho intermitente com pausas fixas: tantos minutos de trabalho e tantos de descanso conforme a faixa de IBUTG e o tipo de atividade. Esse modelo foi revogado pela Portaria 1.359/2019.

O método atual funciona de outra forma. Mede-se o IBUTG médio ponderado nos sessenta minutos mais críticos do ciclo de exposição, calcula-se a taxa metabólica média da atividade no mesmo período, e compara-se o resultado com o limite previsto no quadro da norma para aquela taxa metabólica. A metodologia de medição segue a NHO-06, norma de higiene ocupacional da Fundacentro, à qual o próprio Anexo 3 faz referência.

Se a sua empresa ainda trabalha com a tabela de pausas fixas, o critério está desatualizado.

Por que a atividade da equipe muda o limite

Um mesmo ambiente pode estar dentro do limite para uma função e fora para outra. A razão é fisiológica: o corpo em esforço já produz calor internamente, e sobra menos margem para lidar com o calor do ambiente.

Por isso a norma trabalha com a taxa metabólica da atividade. Trabalho leve, como operação sentada de painel, tolera um IBUTG mais alto. Trabalho moderado, como movimentação de material em almoxarifado ou empurrar carrinhos, tolera menos. Trabalho pesado, com carregamento de peso e deslocamento constante, tolera ainda menos.

Um erro frequente em avaliação é enquadrar o trabalhador como atividade leve quando a rotina real dele é moderada ou pesada. O laudo sai correto na forma e errado no resultado.

O que a empresa pode fazer

Há duas leituras possíveis da mesma exposição, e elas não competem entre si.

A leitura de insalubridade busca verificar se os limites foram ultrapassados, com repercussão trabalhista, laudo pericial e eventual adicional. A leitura de prevenção trata o calor como risco ocupacional a ser gerenciado, e pode exigir medidas mesmo quando a exposição não caracteriza insalubridade nos termos da norma.

Medidas de controle atuam sobre os parâmetros que compõem o índice. Reduzir a carga radiante do telhado, aumentar a renovação de ar, diminuir a umidade relativa em ambiente confinado, criar áreas de descanso com condição térmica melhor, revisar o ciclo de trabalho e a hidratação da equipe.

A climatização entra nesse conjunto porque atua sobre dois dos três parâmetros do IBUTG ao mesmo tempo: reduz a temperatura do ar e movimenta o ar, o que acelera a evaporação do suor e ajuda o corpo a dissipar calor. Em ambiente aberto ou semiaberto, é a medida com melhor relação entre custo e efeito. Se essa é a situação da sua operação, o funcionamento e os limites dessa solução estão detalhados no artigo sobre climatizador evaporativo industrial.

Um ponto de atenção: em ambiente fechado sem renovação de ar, um sistema evaporativo aumenta a umidade relativa, e a umidade é justamente o parâmetro de maior peso no IBUTG. Nesse cenário, a medida pode piorar o índice em vez de melhorar. A escolha entre sistemas depende do tipo de ambiente, e a comparação está no artigo sobre climatizador ou ar-condicionado.

O que este artigo não substitui

Nada do que está aqui permite concluir se uma operação específica está ou não enquadrada nas regras da NR-15 para calor. O enquadramento depende de medição no local, com equipamento calibrado, por profissional habilitado, considerando a atividade real da equipe e o período mais crítico do ciclo de trabalho.

O texto oficial da norma está disponível no portal do Ministério do Trabalho e Emprego, e a avaliação da sua operação cabe ao responsável pela segurança do trabalho da empresa. O que um fornecedor de climatização pode oferecer é a medida de controle, não o laudo.

Próximo passo

Se o calor no galpão já apareceu em queixa de equipe, em pedido de adicional ou em queda de produtividade no verão, o primeiro passo é entender os parâmetros do ambiente. Temperatura, umidade, carga radiante da cobertura e renovação de ar são os dados que orientam tanto a avaliação de segurança quanto a decisão de climatização.

Para entender como a climatização atua sobre esses parâmetros e em que tipo de galpão ela se aplica, comece pelo artigo sobre climatizador evaporativo industrial, que explica o funcionamento, o consumo e os limites da solução.

Leia o artigo completo sobre climatizador evaporativo industrial.

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